Câncer de Esôfago

O esôfago é um tubo músculo membranoso, longo e delgado, que comunica a garganta ao estômago. Ele permite a passagem do alimento ou líquido ingerido até o interior do sistema digestivo, através de contrações musculares (peristaltismo).

O câncer de esôfago mais freqüente é o carcinoma epidermóide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo de câncer de esôfago, o adenocarcinoma, vem tendo um aumento significativo principalmente em indivíduos com esôfago de Barrett, quando há crescimento anormal de células do tipo colunar para o interior do esôfago.

O câncer de esôfago apresenta uma alta taxa de incidência em países como a China, Japão, Cingapura e Porto Rico. No Brasil, consta entre os dez mais incidentes, segundo dados obtidos dos Registros de Base Populacional existentes, e em 2000 foi o sexto tipo mais mortal, com 5.307 óbitos.

O câncer de esôfago está associado ao alto consumo de bebidas alcóolicas e de produtos derivados do tabaco. Outras condições que podem ser predisponentes para a maior incidência deste tumor são:tilose (espessamento nas palmas das mãos e na planta dos pés), acalasia, o esôfago de Barrett, lesões cáusticas no esôfago, Síndrome de Plummer-Vinson (deficiência de ferro), agentes infecciosos (papiloma vírus – HPV) e história pessoal de câncer de cabeça e pescoço ou pulmão.

Para prevenir o câncer de esôfago é importante adotar uma dieta rica em frutas e legumes e evitar o consumo freqüente de bebidas quentes, alimentos defumados, bebidas alcoólicas e produtos derivados do tabaco.

A detecção precoce do câncer de esôfago torna-se muito difícil, pois essa doença não apresenta sintomas específicos. Indivíduos que sofrem de acalasia, tílose, refluxo gastro-esofágico, síndrome de Plummer-Vinson e esôfago de Barrett têm mais chances de desenvolver o tumor, e por isso devem procurar assistência médica regularmente para a realização de exames.

O câncer de esôfago na sua fase inicial não apresenta sintomas. Porém, alguns sintomas são característicos como a dificuldade ou dor ao engolir (disfagia), dor retroesternal, dor torácica, sensação de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite.

Na maioria das vezes, a disfagia já demonstra a doença em estado avançado. A disfagia progride geralmente de alimentos sólidos até alimentos pastosos e líquidos, o que provoca perda de peso, que pode chegar até 10%.

O diagnóstico de câncer de esôfago é feito através da endoscopia digestiva, de estudos citológicos e de métodos com colorações especiais (azul de toluidina e lugol) para que seja possível se fazer o diagnóstico precoce, fazendo com que as chances de cura do câncer atinjam 98%. Na presença de disfagia para alimentos sólidos, é necessária a realização de um estudo radiológico contrastado, e também de uma endoscopia com biópsia ou citologia para confirmação. A extensão da doença é muito importante em função do prognóstico, já que esta tem uma agressividade biológica devido ao fato do esôfago não possuir serosa e, com isto, haver infiltração local das estruturas adjacentes, disseminação linfática, causando metástases hematogênicas com grande freqüência.

O paciente pode receber como formas de tratamento para câncer de esôfago: cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou a combinação destes três tipos. Para os tumores iniciais pode ser indicada a ressecção endoscópica, no entanto este tipo de tratamento é bastante raro. Na maioria dos casos, a cirurgia é o tratamento utilizado. Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser apenas paliativo, através de quimioterapia ou radioterapia. Nos casos de cuidados paliativos, também há dilatações endoscópicas, colocação de próteses auto-expansivas, assim como uso da braquiterapia. (Fontes: Oncogu)